Quando a renda fixa faz a festa, por Márcio Alaor

Opinião/Artigo

  • Postado dia 26 de Junho de 2016

Alternativas para aplicações devem ser escolhidas de acordo com o quadro político e econômico brasileiro. 
Quando o cenário político e econômico do país entra em momentos de instabilidade e crise, o foco dos investidores recai sobre as opções de renda fixa. É o que demonstra a história, observa Marcio Alaor, executivo do Banco BMG. Enquanto, em momentos de segurança e estabilidade, esses ativos trazem resultados mais tímidos, durante os momentos mais tensos, seus rendimentos alcançam patamares de 18% ao ano. Se a economia se estabiliza, explica o executivo do Banco BMG, há queda de juros e os ganhos são mais suaves, pois as taxas indexadoras também se estabilizam, caindo consideravelmente.
 
Investimentos favoráveis em momentos de instabilidade econômica
 
Os juros altos dos tempos mais turbulentos são favoráveis a investimentos fixos pós-fixados, como os fundos DI (indexados pelo CDI, que determina os juros do dinheiro e acompanha a SELIC, principal índice a se relacionar com a inflação), Títulos do Tesouro Direto, LCIs, LCAs e ainda os CDBs.
 
Enquanto os títulos do Tesouro Direto pré-fixados pode trazer riscos ao se vender os papéis antes de seu vencimento, os títulos pós-fixados podem ser excelentes opções para aplicações de curto prazo (até dois anos), pois seguem a SELIC, comenta Marcio Alaor. Nesse investimento pode ser aplicado o dinheiro da reserva emergencial, que corresponde a cerca de seis meses de renda do investidor.
 
Já para aplicações de longo prazo que visam a aposentadoria, Marcio Alaor lembra, por exemplo, do Tesouro IPCA+, indexado à inflação e o mais recomendado pelos especialistas. Os investimentos de longo prazo dispensam a observação diária nas taxas, visto que seu resultado é efetivo com o tempo. Importa manter bastante disciplina e aplicações regulares.
 
Bons investimentos de renda fixa
 
O CDB também é um bom investimento de renda fixa desde que sua taxa seja pelo menos 95% do CDI. As instituições bancárias pequenas costumam oferecer percentuais mais atrativos, cita o executivo do Banco BMG, visto que tem maior esforço para buscar clientes frente à concorrência com os grandes bancos. Investimentos de até 117% do CDI são possíveis de encontrar no mercado.
 
Marcio Alaor ressalta que, para manter a segurança, especialmente nos bancos pequenos, é importante respeitar o limite de R$ 250.000,00 por grupo financeiro para um mesmo CPF, pois esse é o limite de cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) para esse tipo de investimento.
 
Como o CDB sofre taxação do imposto de renda, aconselha-se investir nessa modalidade quando o prazo de disponibilidade for superior a 720 dias, pois é o prazo em que a alíquota regressiva do IR alcança seu menor valor, de 15% sobre o rendimento.
 
Os fundos DI são outro investimento de renda fixa atraente. Importa pesquisar as menores taxas de administração e o maior tempo, pois a incidência de Imposto de Renda é semelhante aos CDBs. 
 
As LCIs e LCAs, Letras de Crédito Imobiliária e do Agronegócio, respectivamente, atraem pela isenção do Imposto de Renda, como relembra Marcio Alaor. Como o prazo mínimo é de seis meses, o investimento requer cautela e aplicação de valores que possam estar livres por mais tempo. A busca que os especialistas sugerem, informa o executivo do Banco BMG, deve ser por papéis que remunerem pelo menos 95% do CDI.
 
Alternativas à mudança de cenário econômico
 
Entretanto, se o cenário mudar e a estabilidade política e econômica despontarem, é preciso mudar de estratégia: uma inflação refreada faz despencar os indexadores principais (SELIC, CDI, IPCA) e o foco passa a ser em opções como Dólar, Bolsa de Valores, os Fundos Imobiliários e ainda, os imóveis.
 
É importante ficar de olho nos rumos da política. A situação do governo interino e a falta de uma definição em relação ao processo de impeachment ainda deixam o futuro um tanto obscuro. Entretanto, comenta o executivo do Banco BMG, se o cenário futuro apontar para corte de juros, como o mercado vem projetando, é possível que as taxas futuras apresentem queda. 
 
Os investidores com maior percepção que já investiram nos títulos pré-fixados estão bem encaminhados. Agora, é preciso observar e ficar sempre atento.

Fonte: Da redação, com Assessoria Márcio Alaor.

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