Diretora-geral da UNESCO defende diversidade cultural em resposta a ataques extremistas na Síria e no Iraque

  • A diretora-geral da UNESCO, Irina Bokova, fez uma defesa veemente da diversidade cultural no mundo, na última segunda-feira (21/09/2015).
  • Postado dia 24 de Setembro de 2015

Ao falar na abertura do Seminário Internacional Cultura e Desenvolvimento, no Cine Odeon, na cidade do Rio de Janeiro, ela afirmou que a promoção da diversidade cultural é uma resposta aos ataques extremistas na Síria e no Iraque, destacando também que os investimentos em cultura são um caminho para o desenvolvimento.
 
 
 
"Quando a cultura está sob ataque, um modo de responder é promover ainda mais a diversidade cultural, incentivando a criação e o trabalho dos artistas, deixando que a criatividade aflore como uma força de dignidade, resiliência e desenvolvimento", disse Irina Bokova.
 
Promovido pelo Ministério da Cultura do Brasil em parceria com a UNESCO, por ocasião dos 70 anos da Organização, o seminário também celebra os 10 anos Convenção sobre a Proteção e Promoção da Diversidade das Expressões Culturais. Ao lado do ministro da Cultura do Brasil, Juca Ferreira, a diretora-geral da UNESCO disse que os ataques a bens culturais e ao patrimônio histórico na Síria e no Iraque não têm precedentes.
 
"Quero ser bem clara desde o princípio: proteger e promover a diversidade cultural é mais que uma questão cultural. É uma questão de cidadania. É uma questão de valores humanos, uma questão central da dignidade e do desenvolvimento humanos", disse Irina Bokova.
 
O ministro Juca Ferreira enfatizou a importância da Convenção, considerada por ele "um dos acordos mais importantes desde a queda do muro de Berlim". Ele e Irina Bokova lembraram o protagonismo do governo brasileiro na época da aprovação da Covenção, com o então ministro Gilberto Gil à frente do Ministério da Cultura. 
 
Juca Ferreira lembrou que o Ministério da Cultura, desde 2003, passou a construir políticas culturais sob três eixos: a cultura como direito de todos, como economia e como dimensão simbólica. "Considerando essas três dimensões, o Brasil impulsiona a agenda de desenvolvimento", afirmou ele. 
 
O ministro fez menção à onda de violência na Síria e às suas consequências, dizendo que é impossível "ficar indiferente diante da atitude hostil e violenta aos refugiados". Ele enfatizou ainda a necessidade de respeito e reconhecimento à cultura alheia: "Sonho com um mundo arco-íris, como diria Mandela. Ao longo dos últimos 50 anos, a diversidade cultural vem conquistando status de um novo sujeito de direito, direito à cultura, de direito à singularidade cultural. Buscamos uma sociedade humana capaz de enfrentar seus desafios em paz", afirmou Juca Ferreira.
 
Ao final da cerimônia de abertura, o cantor, compositor e ex-ministro da Cultura Gilberto Gil fez uma apresentação surpresa aos presentes no Cine Odeon. Usando somente voz e violão, o rápido show contou com músicas conhecidas em sua carreira, incluindo uma em francês - Touche pas à mon pote -, que ele dedicou à diretora-geral da UNESCO, sua amiga Irina Bokova.

Fonte: Da redação (publicobrasil.com.br), com UNESCO.

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