Trabalhadores demitidos acampam em frente à Mercedes-Benz em São Bernardo

  • Postado dia 10 de Junho de 2015

Cerca de 300 trabalhadores demitidos pela Mercedes-Benz em São Bernardo do Campo, São Paulo, estão acampados em frente à fábrica para protestar contra a demissão de 500 dos 715 funcionários que estavam em lay-off (suspensão do contrato de trabalho).
 
Eles estão se revezando em três turnos e 12 barracas. Sete mil trabalhadores estão em férias coletivas, de um total de 10,5 mil na unidade, onde são fabricados caminhões, chassis de ônibus e motores. Os que estão de férias têm retorno previsto para a próxima segunda-feira (15).
 
O coordenador-geral do Comitê Sindical dos Trabalhadores, ligado ao Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Angelo Máximo de Oliveira Pinho, conhecido como Max, destacou que as demissões não afetam apenas os funcionários e suas famílias, mas todo o comércio do entorno, que depende dos empregados. “Essa é uma demissão em massa, e queremos dialogar com a sociedade, pedindo sua solidariedade, e com a empresa, para que ela perceba a responsabilidade que tem com cada demissão.”
 
Apesar das alegações da empresa sobre o excedente de mão de obra, Max disse que as demissões não eram esperadas e que todas as tentativas dos funcionários nos momentos de negociação com a Mercedes-Benz eram para que se encontrassem alternativas para driblar a crise. “A empresa começou a dizer que a única coisa a fazer era a demissão, porque já não havia mais o que fazer. Na última reunião, no dia 25, eles nos obrigaram a organizar várias ações. Acreditamos que, se não fizermos nada, há a possibilidade de mais demissões.”
 
Max disse que os trabalhadores reconhecem que há uma retração no mercado, mas lembrou que esta não é a primeira vez em que isso ocorre. “Esses períodos são momentâneos. E nós acreditamos em uma retomada da economia e do mercado de veículos. Também acreditamos que temos como construir alternativas para preservar os empregos. A empresa está perdendo mão de obra qualificada e gente experiente dentro do processo produtivo da fábrica.”
 
Por meio da assessoria de imprensa, a Mercedes-Benz reiterou que, devido à forte queda de vendas de caminhões e ônibus no mercado brasileiro desde o ano passado, teve que encerrar o contrato de trabalho de parte do grupo de colaboradores em lay-off na fábrica de São Bernardo do Campo. “Esse grupo estava em lay-off há mais de um ano, com salários, benefícios e qualificação profissional assegurados, sendo que, desde dezembro de 2014, a empresa assumiu integralmente todos os custos para manter esse grupo em lay-off com remuneração garantida”, disse a Mercedes-Benz.
 
A empresa ressaltou ainda que também ofereceu, por mais de um ano, diversas oportunidades de saídas voluntárias por meio de planos de demissão voluntária (PDVs), com o máximo de benefícios financeiros possíveis, e que, a pedido do sindicato, reabriu o último PDV (encerrado 15 de maio) no último dia 29 e manteve no último dia 1º, a possibilidade de os envolvidos saírem da empresa com mais vantagens financeiras.
 
“Diante da contínua queda das vendas e, consequentemente, da produção, a empresa concedeu férias coletivas para todas as áreas produtivas no período de 1º a 15 de junho; com a falta de previsão de retomada do crescimento econômico e a impossibilidade de manter toda a sua força de trabalho, infelizmente, a Mercedes-Benz do Brasil teve de realizar essas demissões”, acrescentou a fábrica.

Fonte: Da redação (publicobrasil.com.br), com Agência Brasil

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