100 anos da revista portuguesa Orpheu em Brasília

  • Postado dia 15 de Maio de 2015

Chamados de “loucos” pelos tradicionalistas e depois consagrados como inventores da nova literatura portuguesa, Fernando Pessoa, Mário de Sá-Carneiro e José de Almada Negreiros estiveram entre os criadores de Orpheu, revista que buscava “uma arte cosmopolita no tempo e no espaço”. Os dois únicos números publicados bastaram para agitar todo o circuito literário português em 1915.
 
Para celebrar o centenário de Orpheu, o Departamento de Artes Cênicas da Universidade de Brasília (CEN/UnB), com apoio da Embaixada de Portugal no Brasil e do Centro Cultural Português (CCP) – Brasília / Camões I.P., promove os 100 anos da revista portuguesa Orpheu, evento que reúne palestras, leituras e exibição de vídeo, além do lançamento de Orpheu: 1915: 2015, antologia organizada por Carlos Felipe Moisés.
 
Serão dois encontros, a se realizarem nos dias 23 de abril e 21 de maio, quintas-feiras, sempre às 18h30. O local é o Auditório da Embaixada de Portugal (Setor de Embaixadas Sul, Av. das Nações, Quadra 801, Lote 2), com entrada franca.
 
O professor e escritor Carlos Felipe Moisés e o diplomata e poeta brasileiro Felipe Fortuna falam sobre Orpheu e sobre a obra de Fernando Pessoa (1888-1935), em 23 de abril. Os professores João Ferreira, Lúcia Helena Ribeiro e Fernando Marques abordam o projeto luso-brasileiro da revista, a poesia de Sá-Carneiro (1890-1916) e o teatro de Almada Negreiros (1893-1970), em 21 de maio. Participam os atores Adeilton Lima, Sulian Vieira, Bidô Galvão e Graça Veloso.
 
Agenda – No primeiro encontro, em abril, o escritor e professor Carlos Felipe Moisés (USP), além de palestrar sobre a revista, lança a antologia que organizou, intitulada Orpheu: 1915-2015 – Textos doutrinários e fortuna crítica, livro publicado pela Editora da Unicamp. A plataforma estética de Orpheu, os ataques sofridos pelo grupo, acusado de “loucura” pelos conservadores, e as polêmicas a seu respeito, ao longo do século XX, aparecem no livro. Grandes críticos refletiram sobre a geração de Orpheu, a exemplo de José Régio, João Gaspar Simões, Adolfo Casais Monteiro, Eduardo Lourenço, Arnaldo Saraiva.
 
O primeiro encontro, no Auditório do Camões I.P., exibe fragmento do vídeo O marinheiro, baseado na peça teatral de Fernando Pessoa, com a atriz e professora do CEN Sulian Vieira (vídeo produzido para o espetáculo O naufrágio, dirigido por Silvia Davini). A seguir, o ator Adeilton Lima lê a Ode triunfal, de Álvaro de Campos (um dos heterônimos de Pessoa), poema que celebra a vida nas grandes cidades modernas. As falas suaves e tristes de O marinheiro e a nervosa Ode triunfal estamparam-se no primeiro número da revista. Depois vêm as palestras “Orpheu: 1915-2015”, com Carlos Felipe Moisés, e “Fernando Pessoa, Ou vice-versa”, com o poeta e ensaísta Felipe Fortuna. A noite se completa com os autógrafos do livro organizado por Moisés.
 
O segundo encontro, em 21 de maio, terá palestras dedicadas às ligações luso-brasileiras em 1915 e às obras de Mário de Sá-Carneiro e Almada Negreiros. O professor João Ferreira (UnB), mestre de Literatura Portuguesa (e Brasileira), aborda “O projeto literário luso-brasileiro de Orpheu”. A professora Lúcia Helena Marques Ribeiro, do Departamento de Teoria Literária e Literaturas (TEL/UnB), fala sobre a poesia entre simbolista e futurista de Sá-Carneiro. Fernando Marques, professor do CEN, comenta a dramaturgia fantasista de Almada Negreiros.
 
Antes das palestras, os atores e professores Graça Veloso e Bidô Galvão leem poemas de Mário de Sá-Carneiro e trechos de obras de Almada Negreiros, como o Manifesto anti-Dantas e a peça Deseja-se mulher. A coordenação do evento é de Fernando Marques, em diálogo com o diretor do CCP, João Pignatelli.
 
TRECHO
 
De Orpheu: 1915-2015 – Textos doutrinários e fortuna crítica (Editora da Unicamp), antologia organizada por Carlos Felipe Moisés.
 
“– O que quer Orpheu?
– Criar uma arte cosmopolita no tempo e no espaço. A nossa época é aquela em que todos os países, mais materialmente do que nunca, e pela primeira vez intelectualmente, existem todos dentro de cada um, em que a Ásia, a América, a África e a Oceania são a Europa, e existem todos na Europa. Basta qualquer cais europeu – mesmo aquele cais de Alcântara – para ter ali toda a Terra em comprimido.”
 
“Apontamento solto, sem título, datado provavelmente de 1915.”
De Fernando Pessoa. Em: Orpheu: 1915-2015, p. 41.
 
SERVIÇO
 
100 anos da revista portuguesa Orpheu
 
Dois encontros no centenário de Orpheu, com leituras, vídeo e palestras sobre o modernismo português e a obra de Fernando Pessoa, Mário de Sá-Carneiro e José de Almada Negreiros. Palestras com Carlos Felipe Moisés, Felipe Fortuna, João Ferreira, Lúcia Helena Ribeiro e Fernando Marques. Vídeo com Sulian Vieira e leituras com Adeilton Lima, Bidô Galvão e Graça Veloso.
 
Dias 23 de abril e 21 de maio (quintas-feiras), sempre às 18h30. Em 23 de abril, lançamento do livro Orpheu: 1915-2015.
 
Auditório da Embaixada de Portugal (Setor de Embaixadas Sul, Av. das Nações, Quadra 801, Lote 2).
 
Entrada franca.
 
Mais informações: 61 3032-9639/36.

Fonte: Da redação (publicobrasil.com.br), com Embaixada de Portugal em Brasília.

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