Feira da Providência divulga artesanato fluminense

  • Postado dia 04 de Dezembro de 2014

Cerca de 400 artesãos de todas as regiões fluminenses estão participando, pela sétima vez, da Feira da Providência, aberta esta semana, no Riocentro, e “estão vendendo muito”, disse hoje (4) a subsecretária de Comércio e Serviços da Secretaria  Estadual  de Desenvolvimento Econômico do Rio de Janeiro (Sedeis), Dulce Ângela Procópio. Os artesãos integram a rede do Programa do Artesanato Brasileiro, por meio do  Programa de Artesanato do Estado do Rio de Janeiro.
 
Dulce disse que as vendas feitas pelos artesãos “são  a garantia de renda para milhares de famílias que vivem do trabalho manual”. Segundo a subsecretária, nesse trabalho, os artesãos procuram, “sobretudo, fazer uma pesquisa de origem”. Ela destacou os bordados feitos no noroeste do estado, que contam histórias. “É interessante o artesanato do Rio de Janeiro, com pesquisas de suas raízes e gerando renda para tantas famílias.”
 
De acordo com Dulce, a Feira da Providência, que está na 54ª edição, dá a oportunidade de mostrar o artesanato fluminense, “ainda pouco conhecido dos cariocas e, ao mesmo tempo, vender as peças, que é um gargalo que nós enfrentamos, que são os meios de venda”.
 
Para Rita de Cássia Oliveira de Souza, membro da Associação Bordado do Futuro de Itaperuna, a feira é muito importante para pessoas como ela, que vêm do interior comercializar seus produtos na cidade grande. "É o máximo, e o resultado tem sido excelente.” Formada por 95 bordadeiras, a associação de Itaperuna participa pela terceira vez da Feira da Providência.
 
Outra artesã que aprova a participação no evento, expõe pela quarta vez, é Débora Constantin, moradora da capital. Ela trabalha com conchas de praia e areia. “É muito bom. O público é empolgante, animado, gosta de artesanato. As vendas são boas e isso estimula muito a criação da gente.”
 
O Programa de Artesanato do Estado do Rio de Janeiro tem cadastrados mais de 6 mil artesãos. “Há cinco anos, não passavam de 1,2 mil”, informou Dulce. Para ela, isso significa um avanço muito grande e uma ajuda importante para a geração de renda porque esse trabalho, em geral, “gira em torno de uma família, de uma associação ou de uma cooperativa, que se reúne para fazer isso”.
 
Dulce Procópio salientou que o artesanato tem uma característica que o distingue, que é permitir e facilitar a agregação social. “Ele traz em si a produção de um grupo e não apenas individual. Ele agrega a sociedade como um todo, além de gerar renda”.
 
Na busca de mais canais de comercialização para os artesãos fluminenses, a secretaria tem programada a participação dos integrantes do Programa do Artesanato do Estado em uma feira promovida pela Secretaria Especial da Micro e Pequena Empresa em São Paulo, a partir do próximo dia 12.
 
Também participam da feira associações, grupos e projetos de outros estados, como a oficina de biojoias do projeto Mãos de Teotônio, de Rondônia, patrocinada pela  estatal Furnas. As famílias integrantes do projeto viviam da pesca predatória na  Cachoeira de Teotônio. Segundo a gerente de Responsabilidade Social de Furnas, Ana Claudia Gesteira, foram identificadas 35 mulheres que eram pescadoras na região.
 
Furnas vem atuando desde 2006 na antiga comunidade de Cachoeira de Teotônio, com estudo de viabilidade para a construção das usinas do Rio Madeira. Tendo em vista o desaparecimento da cachoeira e, em consequência, da atividade da pesca, com a construção das usinas, a estatal desenvolveu o projeto. Em parceria com o Centro de Educação e Tecnologia de Rondônia, passou-se a ensinar aquelas mulheres a confeccionar bijuterias com sementes e cocos da Amazônia, que mostravam grande potencial de aceitação.
 
“Trabalhamos na comercialização dos produtos. Esse era o nosso maior objetivo: trabalhar com a geração de emprego e renda para essas mulheres”, disse Ana Claudia. Depois do leilão das usinas, o projeto foi reativado e foi abera da Casa do Artesanato Mãos de Teotônio, onde 15 mulheres associadas trabalham atualmente na produção e comercialização de biojoias e no beneficiamento de sementes.
 
A professora Cristiane Oliveira ensina as mulheres ribeirinhas, como Rosimery Marques da Silva, a inserir seu sentimento nas peças que produzem e a resgatar a autoestima. “Porque o processo produtivo do artesanato tem uma tendência de vários sentimentos e emoções. Para elas, que eram ribeirinhas e pescadoras, [o artesanato] é muito diferente do habitat que tinham anteriormente. O artesanato trouxe uma novo rumo para essas mulheres, mas ainda há muito a avançar”.
 
Cristiane disse que o projeto Mãos de Teotônio está no terceiro ano de atividades. “É gratificante”. Rosimery informou que ainda não dá para ter um retorno financeiro com o trabalho artesanal. As mulheres da comunidade expõem seus produtos uma vez por mês em uma feira na capital, Porto Velho. Elas esperam expandir a participação em feiras no estado, com a ajuda de Furnas.

Fonte: Da redação (Justiça em Foco), com Agência Brasil

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