Rio de Janeiro comemora os 30 anos da Pedra do Sal como patrimônio tombado

  • Postado dia 24 de Novembro de 2014

A Pedra do Sal, no Morro da Conceição, na zona portuária do Rio de Janeiro, comemora hoje (24) 30 anos como bem tombado pelo Instituto Estadual do Patrimônio Cultural (Inepac). Um seminário com palestras sobre o assunto, na Companhia de Desenvolvimento Urbano da Região do Porto (Cdurp), e outros locais da cidade, marca a homenagem.
 
A Pedra do Sal foi um dos primeiros espaços ligados à herança cultural popular e negra no Brasil, reconhecidos como patrimônio cultural, sendo o primeiro no Rio de Janeiro e no Sudeste. No local, grandes nomes do samba como Donga, João da Baiana e Pixinguinha costumavam se reunir. A pedra também foi o berço do samba urbano carioca, dos ranchos e blocos de carnaval, lembra o professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), historiador e escritor Joel Rufino dos Santos, que escreveu o texto de justificativa histórica para o tombamento.
 
"Naquele tempo o mar batia aqui, onde fica a Pedra do Sal, então era onde a população negra, que tinha vindo da Bahia, se reunia para ver os navios e receber os amigos e parentes. Ali começou o rancho, tinha um terreiro de candomblé; a pedra era usada para despacho. Então, era um local de reunião, como a casa de Dona Zica e Cartola, na Mangueira. É um território onde os negros se juntam", disse.
 
O diretor-geral do Inepac, Paulo Vidal, disse que o objetivo do seminário é celebrar o tombamento pioneiro de um lugar de importância para as manifestações afro-brasileiras.
 
"É um ato simbólico de celebrar um tombamento que antecede o próprio conceito de patrimônio imaterial, que só vai ser consolidado na Constituição de 1988. A legislação sai em 2000, com o Iphan. Então, a gente vem com a intenção de reconhecer o valor dessas manifestações por meio desse lugar simbólico que é a Pedra do Sal. Por outro lado, a gente vai discutir também uma nova leva de ações de afirmação de valores da cultura de matriz africana no Rio de Janeiro, no que era chamado de Pequena África".
 
Hoje também haverá uma mesa sobre o samba como patrimônio cultural e uma roda de samba especial na Pedra do Sal, evento tradicional que ocorre às segundas-feiras no local. Na quarta-feira (26), as palestras serão na Biblioteca Parque Estadual com os temas sobre a preservação do Cais do Valongo e do circuito histórico e arqueológico da celebração da herança africana.

Fonte: Da redação (Justiça em Foco), com Agência Brasil

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