Novela angolana leva para a TV discussão sobre igualdade de gêneros

  • Postado dia 12 de Novembro de 2014

A novela Windeck - Todos os Tons de Angola estreou nesta semana na TV Brasil, e para a atriz Edusa Chindecasse, a trama será uma oportunidade para os brasileiros discutirem a representação dos negros e a igualdade de gêneros no mercado de trabalho. O lançamento da novela será comemorado com uma festa, na noite de hoje (12), na zona sul do Rio de Janeiro.
 
O folhetim foi ao ar em Angola, entre 2012 e 2013, e concorreu ao Emmy internacional de melhor novela ao lado de Avenida Brasil e Lado a Lado, trama da TV Globo que saiu vencedora. Na história, Edusa interpreta Luena Voss, uma mulher que volta de Londres para assumir a direção da revista de moda de seu pai, a Divo, frustrando as ambições de outros personagens pelo cargo.
 
O destaque profissional da personagem, na visão de Edusa, reflete uma mudança na sociedade angolana, em que mulheres cada vez mais buscam os cargos de chefia. "Nosso país era um país só de homens, em que as mulheres não tinham lugar no Parlamento, não tinham cargos de destaque. Mulher era só para ficar em casa e cuidar dos filhos. Hoje, temos mulheres em cargos de destaque. Fazer uma personagem dessa é representar essas mulheres", disse ela.
 
Edusa também considera que o fato de a novela ter 100% do elenco negro vai chamar a atenção dos brasileiros: "Vai criar uma curiosidade nas pessoas, e sinto que os brasileiros negros vão poder olhar para a novela e ver a si mesmos. Vão dizer: nós estamos aí, e é possível fazer isso".
 
Tendo como cenário principal a redação de uma revista de moda, a novela será uma janela para que os brasileiros conheçam também o modo de se vestir no país africano, além de sua música, cultura e culinária. "Já há muitos anos, desde a decada de 1980, o povo angolano vê novelas brasileiras. Nós vemos até hoje, e conhecemos cultura brasileira graças às novelas", acrescentou.
 
Outro tema presente na novela é a homossexualidade, mostrada na revelação de um personagem rejeitado pela família e chantageado por inimigos. "Em Angola, há tabu muito grande em relação a isso. Ou não se fala, ou se finge que não existe. Você vai para a rua e vê que existe, mas não pode falar em casa, porque é uma sociedade conservadora", disse a atriz. Segundo ela, a intenção é mostrar que as pessoas gostam de outras pessoas e não de suas sexualidades. "Vamos falar sobre coisas que não existem só em Angola, mas no Brasil", concluiu.

Fonte: Da redação (Justiça em Foco), com Agência Brasil

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