Projeto disponibiliza acervo deixado pelo ator e diretor Sergio Britto

  • Postado dia 22 de Setembro de 2014

Ao longo de seus 65 anos de trajetória artística, o ator e diretor Sergio Britto (1923-2011) foi também um grande colecionador e arquivista. Reuniu e conservou em sua casa, no bairro de Santa Teresa, na zona central do Rio, boa parte da memória do teatro e da televisão no Brasil. Três anos após a morte do artista, esse acervo, totalmente digitalizado, estará disponível para o público a partir de amanhã (23) – parte na internet e parte em um espaço cultural da cidade do Rio de Janeiro.

Iniciativa da família do ator, o Projeto Sergio Britto Memórias foi lançado no início da noite de hoje (22), na Casa de Cultura Laura Alvim, em Ipanema, zona sul do Rio. Os patrocínios da Petrobras, da Secretaria Estadual de Cultura e da Lei Estadual de Incentivo à Cultura possibilitaram a digitalização de milhares de fotos, manuscritos, matérias de jornais, programas de espetáculos e coleções de vídeos e DVDs.

Coube à sobrinha Marília Britto a guarda do material e a coordenação do projeto, trabalho iniciado quando Sergio Britto ainda estava vivo. “No último ano de vida dele, com o agravamento de seu estado de saúde, começamos a catalogar o acervo, com a ajuda dele”, contou Marília. “Ele guardava tudo e não só sobre a sua carreira. Na verdade, o acervo contempla todos os artistas que conviveram com ele em seus 65 anos de carreira”, disse.

Fazem parte do acervo, entre outros itens, as fotos do Grande Teatro Tupi, programa que, ainda na era da TV ao vivo levou ao ar, na extinta TV Tupi, cerca de 400 peças de grandes autores nacionais e estrangeiros. Além de Sergio Britto, integravam o elenco nomes como Fernanda Montenegro, Ítalo Rossi e Nathalia Timberg.

Entre os vídeos, um dos destaques são as edições do programa Arte com Sergio Britto, que o ator e diretor apresentava na TV Brasil, da Empresa Brasil de Comunicação (EBC). Os últimos espetáculos de Sergio Britto, como A última Gravação de Krapp (2009), também fazem parte do conjunto.

Grande amante da ópera – chegou a dirigir três montagens do gênero – Sergio Britto costumava reunir amigos, como Paulo Mamede e Mimina Roveda, seus sócios no Teatro dos Quatro, para assistir em sua casa a vídeos inéditos no Brasil que trazia de suas viagens ao exterior. Essas sessões foram retratadas na peça O Baile de Máscaras, de Mauro Rasi, que também está no portal. “Era uma referência a Sergio Britto, que na peça foi interpretado pelo ator Sergio Viotti”, lembrou Marília.

Por ser muito grande e incluir itens que, se colocados livremente na internet, esbarrariam na questão dos direitos autorais, o acervo digitalizado não foi todo disponibilizado no portal www.sergiobritto.com. “Colocamos no site toda a parte de interesse público, como as fotografias, os programas dos espetáculos, a relação de tudo o que ele fez na vida, os três livros que publicou e a atuação dele como fundador e professor da Casa de Arte de Laranjeiras [CAL]”, explicou a sobrinha do artista.

O acervo completo, que inclui os itens que não estão no portal, ficará disponível na biblioteca do Instituto CAL de Arte e Cultura, no bairro da Glória, na zona sul da cidade. Lá poderá ser consultado por pesquisadores, estudantes de teatro e outros interessados, mediante agendamento.

Fonte: Da redação (Justiça em Foco), com Agência Brasil

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