Porto Maravilha vai dar potencial histórico e cultural ao turismo do Rio

  • Postado dia 17 de Setembro de 2014

A revitalização da zona portuária do Rio de Janeiro, transformando-a no já aclamado Porto Maravilha, pode ampliar o potencial turístico da cidade, normalmente associado às praias, ao Pão de Açúcar, ao Cristo Redentor, ao carnaval e ao Réveillon de Copacabana.
 
De acordo com o presidente da Companhia de Desenvolvimento Urbano da Região do Porto do Rio de Janeiro (Cdurp), Alberto Gomes Silva, a revitalização trará à tona a parte histórica e cultural do centro do Rio.
 
“O Porto do Rio é um lugar desde sempre inserido na economia global, que era o principal porto, o comércio internacional do Brasil se fazia por ali. Ao mesmo tempo é um lugar muito doméstico, onde os trabalhadores do porto conviviam, faziam a sua roda de samba, foram inventando o samba, sincretismo religioso, modo de comer, modo de vida, e mesmo a colônia portuguesa que morava ali, com o seu modo de vida, e você ainda encontra isso lá. Então, o que o lugar tem não é uma identidade; ele tem identidades”, analisou.
 
Ele destaca os vários equipamentos culturais existentes na área de 5 milhões de metros quadrados que passa por revitalização, como a Praça XV, o Museu Histórico Nacional, Paço Imperial, Palácio Tiradentes, Centro Cultural Banco do Brasil, a Casa França-Brasil, o Espaço Cultural da Marinha, Centro Cultural da Justiça Federal e o mais novo Museu de Arte do Rio, além de locais históricos como o Cais do Valongo e a Pedra do Sal. Também estão previstos o Museu do Amanhã, a Fábrica de Espetáculos do Theatro Municipal e o AquaRio, já em construção.
 
A região abriga bairros como Saúde, Gamboa e Santo Cristo, além da primeira favela do Brasil, o Morro da Providência, que têm, juntos, cerca de 30 mil moradores. Por enquanto, já está prevista a construção de prédios residenciais com um total de 1.700 apartamentos, inclusive moradia de interesse social para famílias com renda até três salários mínimos. Segundo o presidente da Cdurp, não há nenhum movimento para retirar os moradores tradicionais da região.
 
“Concretamente, além de não ter nada que induza o cara a querer ir embora dali, estamos oferecendo tudo o que é possível em termos de oportunidade de emprego e qualificação profissional para que ele possa se desenvolver e daqui a pouco arrumar um emprego ali, melhor remunerado, e fica por ali um lugar de oportunidades para ele”, acrescentou.
 
Silva destaca também a necessidade de valorizar os pequenos empresários, para manter restaurantes tradicionais, alguns com mais de 100 anos. “É uma tradição, você vai para qualquer lugar do mundo e vai comer em um lugar que tem 200 anos. No Brasil, só tem valor comer na lanchonete que inaugurou ontem. Então, essa memória que a gente reconhece nos outros, tem que reconhecer em nós também”, emendou.
 
O administrador da página Morro da Providência, no Facebook, que prefere não se identificar, por receio de represálias, pois a página denuncia problemas na região portuária, diz que muita gente já deixou as comunidades por causa da especulação imobiliária. Ele confirma que os cursos de capacitação acontecem, mas reclama que são pouco divulgados, e questiona a eficácia deles para manter os moradores na região.
 
“Será que os cursos vão beneficiar os moradores e levar a empregos? Isso é bom. Mas será que o salário que vão ganhar vai dar para pagar um aluguel de R$ 700 aqui na comunidade, ou acima de R$ 1 mil pela zona portuária? Os cursos são de porteiro, de atendente. Por que não oferecer curso de inglês, curso de administração?”, sugere.
 
A reportagem tentou contato com a Associação de Moradores da Providência, mas não obteve retorno. Na página da entidade, no Facebook, um post denuncia “caos” na zona portuária, com “moradores deixando sua história para trás, transporte público que não atende a população, clínica da família com péssimo atendimento, constante queda de luz e falta de água, atropelamentos nas ruas principais e constantes assaltos”, dentre outras mazelas.
 
O presidente da Cdurp participou hoje (17) da 14ª Conferência Internacional da Sociedade Latino-Americana de Estudos Imobiliários (Lares), que vai debater os desafios atuais do mercado imobiliário. Até sábado (20), serão apresentadas 60 pesquisas inéditas sobre o setor, além de painéis e estudos de caso sobre, por exemplo, a recuperação do mercado imobiliário dos Estados Unidos e da Europa, depois da crise financeira, e experiências na América Latina em empreeendimentos de interesse social.

Fonte: Da redação (Justiça em Foco), com Agência Brasil

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