Primeira bailarina negra do Theatro Municipal do Rio morre aos 93 anos

  • Postado dia 19 de Agosto de 2014

A primeira bailarina negra a ingressar no Corpo de Baile do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, Mercedes Baptista, morreu na noite de ontem (18), aos 93 anos, na casa de repouso onde morava, em Copacabana. O corpo será velado na manhã desta quarta-feira (20), no Cemitério Memorial do Carmo, no Caju, na zona portuária, e a cremação está marcada para as 13h.
 
Em nota divulgada hoje (19), o Theatro Municipal do Rio lamentou a morte de Mercedes, que em 1946 ingressou na Escola Estadual de Dança Maria Olenewa, quando foi aluna do estoniano Yuco Lindberg, sendo em seguida aprovada em concurso interno para participar do Corpo de Baile do Municipal.
 
Em 1948, ela conheceu o jornalista e sociólogo Abdias Nascimento, fundador do Teatro Experimental do Negro, e passou a se engajar no movimento de cultura afro-brasileira. Mercedes foi para os Estados Unidos em 1953, trabalhando com a antropóloga Katherine Dunham, que pesquisava danças de origem africana. Na volta ao Brasil, ainda como bailarina do Theatro Municipal, montou sua própria companhia, o Ballet Folclórico Mercedes Baptista.
 
Ela atuou também no carnaval, tendo coreografado alas do Salgueiro, quando a escola ganhou seu primeiro título, em 1963, com o enredo Xica da Silva. Ela foi enredo do carnaval de 2008 pela Acadêmicos do Cubango e destaque da Vila Isabel em 2009, quando o enredo foi o Theatro Municipal.
 
O presidente da Acadêmicos do Cubango, Olivier Luciano Vieira, conhecido como Pelé, ressaltou a perseverança de Mercedes: “Foi empregada doméstica e vendedora de loja, mas com sua determinação em ser bailarina, em momento algum ela desistiu. Além disso, ela mudou o carnaval carioca, com a presença dela, quando trouxe o minueto para a avenida, pela Acadêmicos do Salgueiro, o que era uma coisa espetacular para a época”.
 
A bailarina também foi lembrada pela amiga e aluna Ruth Souza Santos, que destacou a importância de seu trabalho: “Ela foi a pioneira a codificar a dança afro no Brasil, a partir de sua base clássica e moderna. Ela foi realmente uma desbravadora”.

Fonte: Da redação (Justiça em Foco), com Agência Brasil e da Rádio Nacional

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