Amigos e parentes se despedem do escritor baiano João Ubaldo Ribeiro na ABL

  • Postado dia 18 de Julho de 2014

Parentes, amigos, escritores e admiradores de João Ubaldo Ribeiro passaram durante toda a tarde de hoje (18) pelo velório do romancista, no Salão dos Poetas Românticos da Academia Brasileira de Letras (ABL), para prestar suas últimas homenagens ao escritor, que morreu hoje, no Rio de Janeiro. O corpo do acadêmico será enterrado amanhã (19), às 10h, no Mausoléu dos Imortais da academia, no Cemitério São João Batista, em Botafogo, na zona sul da capital fluminense. Antes, às 8h15, uma cerimônia religiosa será realizada na ABL em homenagem a João Ubaldo.
 
Secretária do acadêmico há mais de dez anos, Valéria dos Santos contou ter conversado durante toda a tarde de ontem (17) com Ubaldo e disse que ele aparentava estar bem. “Um pouco antes das 3h ele se sentiu mal, avisou à esposa, mas infelizmente não deu tempo de fazer muita coisa. Em maio, ele chegou a ser internado por conta de problemas respiratórios e o médico recomendou que ele parasse de fumar. De lá para cá, ele vinha diminuindo bem a quantidade de cigarro. A morte dele foi uma surpresa”, disse.
 
O escritor baiano Antônio Torres, ocupante da Cadeira 23 da ABL, que já foi de Machado de Assis, lembrou da voz marcante de João Ubaldo e da maneira carinhosa como ele tratava os amigos. “Foi uma surpresa, fiquei chocado. Trocávamos e-mails de vez em quando, e ele parecia estar bem. Vou lembrar dele como uma pessoa espirituosa, falante, de uma voz potente. Ele com certeza vai deixar um legado imenso. A obra dele traz para a nossa literatura o que há de melhor no texto contemporâneo”, disse.
 
Pessoas próximas ao escritor contaram que há um ano e meio ele estava trabalhando em um novo livro, que contaria histórias da vida boêmia carioca, na perspectiva de um personagem baiano. Um dos quatro filhos do escritor, Bento Ribeiro, disse que na última conversa com o pai sobre o assunto, João Ubaldo revelou que estava na metade da história.
 
“Ele sempre queria produzir coisas, se orgulhava da cultura brasileira, da nossa história, e é isso que vai ficar para todos. Estava no meio de um livro mas só comentou comigo que estava escrevendo sobre as histórias de bar, mas encaixando a Bahia através do narrador”, contou o filho, lamentando a morte repentina do pai. “Além do que todo mundo já falou nas muitas homenagens, ele era meu pai. Foi muito inesperado e triste. A última lembrança que tenho dele é uma conversa em que ele disse como ele queria ir à Alemanha visitar meu filho de 5 meses. Ele foi um paizão”, disse.

Fonte: Da redação (Justiça em Foco), com Agência Brasil

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