Transição do poeta Vinicius de Moraes, de livro para letrista de música foi natural, analisa Ivan Junqueira

  • Postado dia 18 de Outubro de 2013

Rio de Janeiro - Ao se voltar mais para as letras de música, a partir dos anos 50, o poeta Vinicius de Moraes fez uma escolha natural, um desdobramento até previsível em sua obra. A avaliação é do também poeta, crítico literário e ensaísta Ivan Junqueira, membro da Academia Brasileira de Letras (ABL). “A poesia que Vinicius publica na década de 40, sobretudo no livro Poemas, Sonetos e Baladas, já contém uma musicalidade de tal ordem que se poderia até prever que ele acabaria se enveredando pelas letras de música. E isso foi exatamente o que aconteceu”, disse Junqueira.

Para ele, a escolha de Vinicius trouxe um enorme benefício para o cancioneiro popular brasileiro. “Não há porque criticá-lo nesse ponto. Mas, de fato, ele deixou de lado a grande poesia que escreveu até 1949. Nesse ano, quando ele publica Pátria Minha, é quase uma despedida do Vinicius como o grandíssimo poeta que foi. A partir daí, ele só vai lidar com música popular”, ressaltou.

Autor dos ensaios Vinicius de Moraes: Língua e Linguagem Poética e Os Herdeiros do Modernismo, o acadêmico inclui Vinicius em um grupo de poetas que teve influência muito grande sobre o que se escreveu depois, nas décadas de 40 a 60. São os poetas que começaram a publicar suas obras nos anos 30, como Carlos Drummond de Andrade, Murilo Mendes, Henriqueta Lisboa, Odylo Costa Filho e Manoel de Barros. “A poesia deles não traz aqueles equívocos e cacoetes dos poetas do início do modernismo, que se você ler hoje, é uma poesia muito datada por causa da ideologia do próprio movimento modernista”, analisou Junqueira.

A variedade de temas na poesia de Vinicius pode ser explicada, segundo o crítico, pelo fato de ele ter sido um poeta nato. “Eu considero muito importante a observação do Carlos Drummond de Andrade para se entender o Vinicius de Moraes: é que ele foi o único poeta daquela época que levou uma verdadeira vida de poeta. Todos os outros se recolheram a gabinetes. O Manoel Bandeira isolado naquela casa de Santa Teresa, o próprio Drummond trabalhando no Ministério da Educação e Cultura”, disse. 

Para Ivan Junqueira, Vinicius de Moraes era um vocacionado para a escrita, mesmo fora da poesia. “Ele se deu bem em todas as vertentes literárias porque era um homem de um talento inesgotável”, destacou.

Fonte: Da redação (Justiça em Foco), com ABr./Paulo Virgilio

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