Sétima edição da Primavera dos Museus destaca relação entre memória e cultura afro-brasileira

  • Postado dia 23 de Setembro de 2013

Rio de Janeiro – A sétima edição da Primavera dos Museus começou hoje (23) em todo o país, com o tema Museus, Memórias e Cultura Afro-Brasileira. Até domingo (29), museus em diversas cidades terão programação especial que inclui palestras, oficinas, exposições com visitas guiadas, além de concertos musicais e apresentações de dança. No Brasil, 884 museus vão promover 2.264 eventos culturais, propondo ao público uma reflexão mais profunda sobre o tema. Só no estado do Rio, participam 82 unidades.

O evento é uma iniciativa do Instituto Brasileiro de Museus (Ibram). A temática deste ano é resultado de uma discussão sobre a transformação social apresentada durante a conferência do Comitê Internacional de Museus de 2013, que abordou a junção de memória e criatividade resultando em mudança social. Assessor cultural do Museu da República, uma das unidades do Ibram, o museólogo Mário Chagas diz ser impossível falar em qualquer mudança social no Brasil sem tratar a questão da cultura afro-brasileira.

“Estamos articulando museus, memórias e cultura afro-brasileira, no sentido de que a memória pode contribuir para uma maior emancipação da cultura brasileira”, destaca. “Vivemos em um país onde a intolerância religiosa continua e é crescente, onde as práticas racistas são recorrentes, tem uma potência no que se refere à cultura afro-brasileira, no entanto frequentemente desvaloriza essa cultura”, acrescenta.

No Rio, entre as instituições participantes da Primavera dos Museus estão o Museu Histórico Nacional, o Museu Imperial, em Petrópolis, região serrana do estado, e o Museu Nacional de Belas Artes, que promove na quarta-feira (25) uma palestra sobre a arte africana.

O Museu da República abriu hoje para o público três exposições e mesas-redondas sobre cultura afro-brasileira e intolerância religiosa. Na visão do museólogo, o impacto causado pelo evento é muito forte no setor cultural e social. “Isso contribui para as pessoas que trabalham no museu, contribui para o nosso setor educativo, mas também contribui para o público. Discutimos os problemas sociais, a questão da violência contra as mulheres, o tema da liberdade religiosa e mulheres negras em vários segmentos da sociedade. A Primavera dos Museus é uma espécie de convite a uma reflexão complexa”, ressalta Mário Chagas.

Desde a primeira edição em 2007, a Primavera dos Museus vem ganhando mais adeptos. Em 2007, 300 museus aderiram ao evento, com 874 atividades em todo o país. Agora, 884 participam. A programação completa está disponível no site http://www.museus.gov.br.

Fonte: Da redação (Justiça em Foco), com ABr.

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